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A Legalização como um Pacto Social contra a Criminalização da Pobreza

05/12/2016

A Legalização como um Pacto Social contra a Criminalização da Pobreza

 

No Espaço Cult, Rebeca Lerer se apresentou como a única mulher palestrante do Ganja Talks. Em toda a discussão proposta, o cunho político tomou conta, relacionando a proibição da maconha com a violência policial e a criminalização da pobreza. Foi apontado, por fim, um projeto de legalização inclusivo e responsável.

 

O cenário de violência é claro, bem como seu maior alvo: negros e pobres. O Brasil é o quarto país com o maior encarceramento do mundo, sendo que apenas 8% dos homicídios são investigados. A polícia, no Rio de Janeiro, matou em 2015 mais de 600 pessoas. Esses dados chocam, mas são usuais e representam uma cultura punitivista e preconceituosa de toda a população, a mesma que elege um governador que decreta sigilo de documentos e dificulta o acesso à informação.

 

Tal sistema opressor é altamente criticado por Rebeca, em que se “assassina jovens, toda uma potência e cultura. A gente se apropria e comercializa essa cultura e mata quem faz”. Por isso, foi apontado durante o encontro como é importante pensar para além da mercantilização da erva, uma vez legalizada, mas numa política de repactuação social. Não é suficiente resolver o problema do uso das pessoas que podem pagar caro para fumar seu baseado, mas deve-se pensar nas famílias sustentadas pelo tráfico e como legalizar seu negócio de forma a manter sua renda, tornando-o legítimo e não-violento.

Lerer argumenta que somente se negar a comprar do tráfico não resolve o problema. Aqueles que vendem drogas vão continuar em empregos degradantes (ou envolvidos em outros crimes) e a produção de home grow não é grande o suficiente para suprir toda a demanda do país. A solução está, para ela, em outro lugar.

 

Foi levantado na discussão um outro problema: os jovens na periferia são carentes de opinião, pois sua fonte de informação é escassa. Dessa forma, fica difícil também lutar por um espaço justo de consumo canábico, entre tantas outras questões de debate necessário. Por isso, é essencial levar eventos como o Ganja Talks para locais mais desprovidos de atividades culturais e educativas.

 

Rebeca lança a ideia de um projeto em que a maconha seria legalizada, as bocas desarmadas, os presos sem crime contra a vida anistiados, cooperativas de cultivo montadas e conveniadas com o governo para a venda de maconha medicinal pelo SUS. Essa é uma proposta interessante justamente por cumprir seu dever social. Além disso, haveria a liberdade de auto-cultivo e relativo espaço para lojas de administração tradicional. O fundo de imposto com o lucro de tais lojas, no entanto, seria revertido para investir em locais periféricos em que a dívida histórica é alta. “A democracia para essas pessoas nunca chegou.”, disse a palestrante.

 

A proibição, para Rebeca, “é uma ilusão de controle, um não-controle”, enquanto que com a regulação, tem-se um ordenamento do mercado e do cultivo.

 

O Ganja Talks aconteceu com a ajuda de 30 voluntários no dia 30 de abril, na Vila Madalena, em São Paulo. Além de terem ajudado a realizar o evento, alguns voluntário acabaram transformando a experiência em conteúdo e nós vamos compartilhar aqui no Ganja Talks. A segunda matéria é também da Sophia Noronha que conta como foi o papo com a Rebeca Lerer

 

texto de Sophia Noronha, foto de Cinthya Santos @TitaOi

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