Jornalistas debatem comunicação, maconha e mulheres na era digital

12/02/2016

 

 

 

Na penúltima aula do Panorama Ganja Talks o debate foi comandado por Guilherme Melles, editor da página Quebrando o Tabu e Mônica Pupo, jornalista do site Maryjuana. Durante mais de duas horas o panorama da comunicação canábica na era digital, o lugar da mulher na indústria da maconha e os próximos passos diante das mudanças nos próximos anos tomaram conta da conversa no Espaço Cult, na Vila Madalena.

 

Guilherme Melles contou um pouco sobre seu trabalho e experiência na área de social media. A página do documentário de mesmo nome, gerida por Melles, hoje conta com mais de 6 milhões de seguidores e é considerada um dos veículos mais importantes nas redes sociais. "Acredito que mais importante do que informar, é comunicar e propor um debate. É isso que tento fazer na página, sempre levantando uma questão polêmica, mas buscando sempre ser neutro", disse Guilherme.

 

A página começou como um veículo sobre o documentário Quebrando o Tabu e abordando questões acerca da guerras às drogas. Com o crescimento de seguidores, Melles decidiu abordar outros assuntos considerados polêmicos na sociedade brasileira, como questões de gênero, minorias e direitos humanos, "acho que precisamos dar o braço a torcer e escutar as pessoas que pensam diferente, pois estamos perdendo essa luta, a maioria das pessoas no Brasil são contra a legalização da maconha e nós estamos perdendo. Não sou muito otimista com relação a legalização acontecer tão rápido, então acho importante entender o outro lado".

 

Por sua vez, Mônica Pupo mostrou seu trabalho com o site Maryjuana e falou sobre as mulheres no mercado da cannabis a experiência de trabalhar no meio. "Ainda recebo muitas mensagens de pessoas achando que eu sou homem. Eles olham a página curtem e mandam um "E ai brother?". Ainda existe muito machismo na cultura canábica. As pessoas costumam pensar que maconheiro, por ser maconheiro, tem uma mente mais aberta, mas a gente encontra vários perfis, tem muita gente que reclama que falamos de questões lgbt, de aborto, mas não entendem que isso toca em muitos pontos em comum com a maconha."

 

Apesar de todas as indústrias mais importantes do mundo serem majoritariamente geridas por homens, o mercado da cannabis é o que tem a maior parcela de participação feminina nas empresas e em cargos de alto nível. A jornalista ainda falou sobre a visão da mulher ao longo da história da cannabis e sobre o papel desempenhado pelas mulheres no debate canábico, "o que vejo é que as mulheres discutem muito mais, são muito mais abertas e pró-ativas que os homens.". E assim como Jean Wyllys, a jornalista finalizou opinando sobre suas expectativas acerca da legalização, "acho que legalizaremos perto de 2022, leva um tempo ainda até a sociedade mudar e muitas coisas ainda precisam acontecer para isso".

 

A última aula do Panorama Ganja Talks acontece na próxima segunda-feira, abrangendo os negócios com a cannabis. Não perca, acesse www.ganjatalks.com.br/panorama para mais informações.

 

Imagens: Thum Thompson

 

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