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2017 e o legado de 30 anos do Verão da Lata

01/16/2017

 

Desde o primeiro Ganja Talks, que ocorreu no ano passado, um assunto em particular vem tomando conta aos poucos das conversas nas rodas canábicas. E como uma lata que é desenterrada depois de muito tempo, o ano que iniciou na última semana carrega em si um interessante legado: 30 anos do famigerado 'Verão da Lata', que também será tema do próximo festival.

 

O Verão da Lata foi assim denominado pelo inusitado aparecimento de milhões de latas de alumínio nas praias de São Paulo e posteriormente, Rio de Janeiro e algumas chegaram até o litoral do Rio Grande do Sul. Para ser mais preciso, foram 22 toneladas de maconha, em aproximadamente 15 mil latas, lançadas ao mar que vagarosamente foram chegando às praias paulistas e cariocas, principalmente.

A história parece de filme, e de fato, virou um documentário, produzido pelo documentarista Tocha Alves e exibido no History Channel. 'O Verão da Lata - Deus é Brasileiro' contou em minúcias todos os detalhes daquela que pode ser a história mais fantástica da cultura canábica brasileira. Por essas e outras, o documentarista fará a curadoria do Ganja Talks 2017.

Alexandre Perroud, hoje dono da rede de headshops Ultra 420, foi uma das pessoas privilegiadas que tiveram acesso ao fumo da lata. Sua experiência, como a de muitos outros, foi inusitada, mas principalmente, única. "Eu era surfista e costumava pegar onda junto com os locais do Guarujá, no Morro do Maluf, na praia de Pitangueiras. Naquela época, maconheiro era perseguido, eu mesmo já ouvi andando na rua uns "maconheiro sujo!", a gente era bem recriminado. Num desses dias de surfe, estávamos eu e o Careca, um grande amigo e também surfista local, e ele encontrou algo brilhando no mar. Naqueles dias a informação circulava muito pelo boca a boca e a gente já tinha ouvido falar das latas, então de imediato, a gente já sabia o que era, não foi uma total surpresa." 

 

Para resgatar as latas e levá-las em segurança para seu apartamento, Perroud e seu amigo fizeram uma verdadeira operação para que o salva-vidas da praia (que também curtia fumar uns baseados) não visse o que estavam levando. "Nós remamos até as pedras na encosta da praia, escondemos as duas latas que achamos, porque não queríamos que o salva-vidas - que também era nosso amigo - visse o que a gente tinha encontrado e pegasse pra ele. Quando chegamos em casa, nós fomos para o meu quarto, e meu pai na sala. O que aconteceu depois eu nunca vou esquecer: nós abrimos a lata com um abridor e ela fez um barulho, um estalo, porque estava fechada a vácuo, era coisa de profissional. Saiu um cheiro muito forte, chegou até a sala e meu pai ficou puto achando que a gente estava fumando no quarto. Nós separamos uma parte (bem generosa) para o Careca, para o meu irmão e para mim, e a maconha durou muito pouco, em menos de um mês nós fumamos tudo. A maconha foi a melhor que já fumei na minha vida. Camarão, embebida em uma espécie de óleo ou mel, sem semente, pura qualidade, foi uma experiência única mas foi uma pena porque não nos demos conta naquele momento, da proporção do acontecimento que a gente estava vivendo, aquilo me marcou muito.

O documentarista Tocha Alves, especialista no assunto, conta um pouco o que o Verão da Lata representa para o Brasil: "O Verão da Lata foi o nosso 'Summer of Love". Foi onde a sociedade deu uma relaxada com a questão da maconha porque era tanta e de graça que não tinha o que fazer. 1987 foi logo depois da abertura política de 1984 então tinha uma pré disposição à tolerância na sociedade. Investigadores de policia que entrevistei dizem que ficou “normal” o cara acender um baseado na praia ou em qualquer lugar, ou seja, talvez tenha sido o prenúncio desta nova era que está por vir da liberação da maconha no Brasil.

 

Com certeza muita coisa evoluiu na sociedade, a maneira como a maconha é vista hoje é muito mais leve do que era nos anos 80. Os mais velhos tinham certeza que você ia morrer se fumasse. A juventude que passou pelos anos 60 e 70 tinha outra cabeça com certeza, e foram eles que aproveitaram este verão. Mas a sociedade em geral, incluindo a mídia, relaxou e aprendeu que maconha não é todo esse demônio que pintavam."

 

Além do festival incrível que está para ocorrer, outras atividades ainda serão reveladas ao longo das próximas semanas, sempre com o intuito de celebrar os 30 anos do maior evento canábico no Brasil.

 

Fontes: Entrevista Alê Perroud e Tocha Alves; Documentário "Verão da Lata"

Imagens: Revista Brasileiros

Infográfico: Henrique Torelli

 

 

 

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