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Em constante transformação

O trabalho de comunicação que fazemos no Ganja Talks me permite um entendimento raro, e sempre essencial, da complexidade do consumidor de cannabis no Brasil – para dizer melhor, do consumidor de conteúdo sobre cannabis, ou seja, meu público-alvo. Nas interações que são frequentes nas redes sociais, amplio meu saber ao mesmo tempo que percebo que não sei de nada. É engraçado isso.  

 

Vou dar um exemplo. Esses dias publicamos uma parte da aula gratuita sobre terpenos no Insta do GT. O trecho, especificamente, fala sobre a relação entre prensado e flor. Entre os comentários, um me chamou a atenção. No vídeo, eu falo sobre como a maioria de nós temos mais acesso ao prensado. Quando no comentário, um seguidor pontuou que, no Nordeste, as flores são mais comuns. 

 

Falar sobre maconha para cidadãos de um país tão grande, com realidades tão distintas, e não generalizar o discurso, de alguma forma, é impossível. Cada pessoa que recebe nosso conteúdo encara a informação de uma maneira, de acordo com sua história, sua bagagem e os valores e princípios que a regem naquele momento. E isso é maravilhoso, porque abre espaço para a troca, para a mudança. Afinal, me considero alguém em constante aprendizagem e, por isso, sempre em transformação. E minha história com a cannabis é assim também. 

 

Eu fui diagnosticado, aos 10 anos, com hiperatividade como déficit de atenção, uma condição que não tem cura e que me causou diversos problemas, desde o diagnóstico até os tratamentos, hoje considerados completamente ultrapassados, que devem ter destruído a vida de muitas pessoas. Mais tarde, aos 16, nas primeiras convulsões descobri que tinha epilepsia. Até então, acreditava que a maconha era uma droga que fazia muito mal e que, especificamente no meu caso, era fatal, segundo meus médicos. Quando se tem uma doença séria e o time está ganhando, você escuta os médicos e não encosta nisso. Tinha que acreditar que a vida de remédios debilitantes e convulsões era a minha sina. 

 

Na adolescência, por volta dos 18 anos, provei a erva. Mais para experimentar, já que ainda tinha preconceito. Os anos seguintes foram de sermões dos médicos e idas e vindas com o consumo recreativo. Durante esse tempo, a cannabis era para mim aquele tijolo preto, o famoso prensado, eu não sabia exatamente o que era e nem tinha tanto interesse, consumia quando estava com amigos maconheiros e sabia que me deixava feliz. 

 

Há mais ou menos seis anos eu ouvi pela primeira vez, de um amigo canadense, sobre como a cannabis estava sendo usada no tratamento de epilepsia. Mas aqui essa informação ainda não era divulgada e, por isso, fui recomendado, pelos médicos, mais uma vez, a esquecer essa história de maconha. Mas, naquela altura, esquecer não era uma opção para mim – qualquer coisa que pudesse me proporcionar uma vida sem convulsões, fora da cama, era uma esperança. 

 

Então eu mergulhei nesse mundo e, mesmo com muita dificuldade em achar informações em português (sobre o CBD e epilepsia, então...), pesquisei sobre a planta, descobri suas variedades, entendi a diferença entre o prensado e a flor, o que é perfil de terpeno, o que é CBD, THC, e como eles atuam no nosso organismo. Desde então, uso a cannabis como apoio terapêutico que me proporciona, junto ao tratamento, uma qualidade de vida incomparável. 

 

Devo muito do que sou hoje a essa planta e sei, por experiência própria, da importância do conhecimento para a transformação. Essa é a essência do que fazemos no Ganja Talks, o norte que guia nossa linha editorial: compartilhar informação. Vamos aprendendo e nos transformando nesse caminho, através dessa contínua troca. Mas o propósito segue.

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