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Como estabelecer uma conversa com o consumidor de cannabis

 

Nunca foi tão importante entender o público-alvo e posicionar sua marca no mercado de cannabis de maneira eficiente. A exemplo da indústria do álcool, onde existem diversos perfis demográficos que consomem essa substância, com a cannabis não é diferente - os consumidores não têm as mesmas características, nem pertencem aos mesmos grupos sociais.  

 

Existe a ilusão de que o consumidor de maconha se enquadra em um estereótipo. As marcas e os profissionais sustentam, dessa forma, um estigma que, paradoxalmente, estão tentando eliminar. A premissa de que os consumidores de maconha são homens, héteros, que gostam de Bob Marley e Che Guevara, que são ativistas, cultivam a própria planta e que vivem no porão dos pais jogando videogame já deveria ter sido superada. Além de um tremendo erro, enquadrar o público-alvo do mercado canábico em uma imagem alegórica do maconheiro é um desperdício.  

 

Um dos principais motivos pelos quais isso acontece é que, no mercado ainda ilegal, os consumidores ainda não se mostraram - eles se escondem em suas casas, seja pelo medo de uma repressão legal, seja para evitar ser rotulado. E, nessa, quem costuma vir a público e se mostrar como consumidor é quem está apto a se expor, mas que não representa o consumidor na sua totalidade.

 

Logo que comecei a empreender no mercado da cannabis, usei algumas técnicas para o desenvolvimento de meus projetos. Uma das mais efetivas, que gostaria de destacar aqui, é a de simplesmente sair de casa ou do escritório para conversar com diferentes pessoas sobre o projeto - estranhos têm mais inclinação a te falar a verdade sobre sua ideia. Ou você acha que seus amigos vão te falar o quão errado você está?  

 

Vou dar um exemplo bem específico. Durante o desenvolvimento do Who is Happy, uma rede social para consumidores de cannabis pelo mundo, eu estava morando em Londres e costumava marcar encontros com pessoas para mostrar meu projeto e conversar sobre as minhas ideias.

 

Era muito engraçado, porque os europeus, em geral, ficavam maravilhados pelo projeto, sorriam e falavam que a ideia era sensacional. Mas, quando ligava para o Brasil para contar sobre o mesmo projeto, o feedback era sempre negativo. “Você vai ser preso” ou “vai apresentar onde as pessoas estão consumindo” eram as frases mais estimulantes que ouvia dos brasileiros.

 

E, sabe de uma coisa? Embora na hora tenha sido desconfortável receber um balde de água fria sobre minhas ideias, esse feedback foi importante para o desenvolvimento do app, pois percebi que o consumidor de cannabis que eu tinha dentro da minha cabeça não fazia sentido com a realidade. Dessa forma, comecei a estruturar meus projetos de uma maneira diferente, buscando aquele consumidor que está esquecido em casa, que ninguém sabe como comunicar de maneira efetiva - e essa mudança foi essencial para o sucesso dos meus projetos canábicos.

 

O posicionamento de uma marca tem uma relação direta com o público-alvo que se deseja atingir. Focar simplesmente em consumidores de cannabis não é se posicionar no mercado, porque há tantos tipos de consumidores que fica impossível misturá-los no mesmo balaio. Se você quer saber mais sobre esse assunto e outras informações sobre o mercado da cannabis, participe do webinar gratuito sobre empreendedorismo canábico, que acontecerá na próxima sexta-feira, 9 de fevereiro, às 20h. Para se inscrever, acesse www.ganjatalks.com.br/empreendedorismo-canabico.

 

Foto: acervo Ganja Talks.


 

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