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Dez plataformas online que unem produtores a festivais

09/25/2018

 

Quando fazemos um filme, a coisa que mais queremos é que as pessoas assistam, certo? E se esse filme não é comercial a ponto de chegar numa tela de cinema, uma Netflix da vida ou mesmo na TV? É aí que entram os festivais de cinema e documentários, mais uma engrenagem que faz a indústria do audiovisual girar, sobre a qual me dedico a escrever esse texto.

 

Assim como as produtoras têm suas personalidades, de acordo com o que quem as criou acredita, os festivais também. Cada festival tem foco específico em um assunto. Isso é muito legal, porque democratiza a divulgação. Você sempre vai encontrar um festival em que o seu filme se encaixa, seja ele do que for.

 

Especializados cada vez mais em segmentação, os festivais são um reflexo da quantidade de conteúdos que existem hoje em dia. Para dar alguns exemplos, cito aqui os festivais de filmes de terror, de refugiados, de direitos humanos, de filmes de ação, de blockbusters... e de cannabis, claro.

           

Os festivais evoluíram junto com a tecnologia. Até 2010, mais ou menos, para participar de um festival era preciso enviar uma fita de vídeo pelo correio, e pagar pelo envio, é claro, além de uma taxa de inscrição. Isso era muito complicado, porque custa muito mandar uma fita até outro continente, fora ter de gravá-la, etc. Isso quando não se mandava um rolo de filme, no caso de filmes em película. E para pegar o rolo de volta? E se você enviasse e o filme não fosse selecionado? Quem te devolveria este rolo? Tudo muito caro.

 

Essa conta não fechava e, por isso, era preciso escolher muito em bem quais festivais se inscrever. Muito filme ficou sem alcançar sua audiência verdadeira por conta disso, creio eu. Mas isso mudou, e hoje em dia os festivais de cinema chegam a seu público, produtores e espectadores, através de plataformas digitais. Muito mais fácil.

           

A conveniência digital veio da possibilidade de fazer o upload de um filme, junto com todas as informações necessárias, em plataformas que conectam os produtores com os festivais que, por sua vez, têm acesso facilitado às opções.  Há basicamente dez plataformas que atendem a todos os festivais de cinema, vídeo e documentários no mundo. São elas:

 

Withoutabox, a plataforma dos festivais mais purpurinados dos EUA, Canadá e Europa. Nela estão: Tribeca, London Film Festival, Liepzieg, Hot Docs, Sundance... entre outros badalados. É uma plataforma ligada ao IMDB. São pioneiros nisso e são caros, 70 dólares é o ticket básico para inscrição aqui.

 

•  Reelport, plataforma alemã mais focada em filmes e festivais europeus.

 

Shortfilmdepot plataforma francesa focada em curtas metragens, como o nome diz. Aqui está, por exemplo, o Festival de Curtas de São Paulo.

 

Click for Festivals, plataforma espanhola especialmente barata para se inscrever filmes, com um modelo de negócios diferente das outras, em que você compra créditos para gastar inscrevendo seu filme em festivais.

 

Festhome, também da Espanha, se diferencia da Clickforfestivals por ter muito mais festivais na sua base e permitir filmes de longa duração. É também uma plataforma para negócios, que atrai exibidores como canais a cabo e distribuidoras.

 

Up to Fest, mais uma plataforma vinda da Espanha (eles parecem ser bons nisso), que se propõe a ser especialmente simples de usar e barata. Tantas plataformas só existem porque há muitos festivais.

 

Film Festival Life (FFlife), está é alemã e seu diferencial é ser também uma rede social entre filmmakers, outros festivais, distribuidoras, agentes...

 

Film Fest Platform, francesa e pequena. Conta com apenas 100 festivais em seu circulo de influência, e os filmes precisam necessariamente ter legenda em francês.

 

Movibeta também espanhola também muito barata e com o foco mais aberto, incluindo animação e filmes experimentais.

 

Quando eu produzi o Verão da Lata, lançado em 2014 junto com o History Channel, entrei em contato com todas estas plataformas para tentar alcançar o maior número de "eye balls" e cérebros possível. E comecei a tentar entender por quais festivais eu deveria andar. Demorou para eu entender que o Verão da Lata é um filme canábico. Claro que eu sabia desde sempre, mas enxergá-lo como potencial para a comunidade canábica veio depois. Afinal, esta própria comunidade é muito nova.

 

Gastei um bom dinheiro tentando procurar espaço em festivais de documentários, não funcionou muito aberto o tema. Depois, em festivais de TV, também não funcionou. Um dia, apareceu o Canabis Film Festival de New York em uma dessas plataformas que citei. Acendeu uma luz vermelha e giratória na minha cabeça. É isso, nicho. Bingo! O Verão da Lata levou o prêmio de melhor documentário em 2016 neste festival. De lá para cá, participei de mais uns cinco festivais nessa vertente. E foi demais.

 

Claro, o Verão da Lata tem muitas outras qualidades enquanto documentário. E isso fez ele participar de muitos outros festivais, como o Mexico DocsDF (hoje DocMx), Cine Ouro Preto, Cine Más de San Francisco, Doc Doshima, em Jacarta, Rosário Festival, na Argentina, Cinema com Farinha, em Patos, na Paraíba, Montpelier, na França, Cine Roma, Festival do Arquivo Nacional no Rio de Janeiro e o Cannabus Culture Festival, um festival itinerante canábico.

 

Voltando para as plataformas, onde encontrei o melhor ambiente para o meu filme canábico foi na Film Free Way. Eles têm a maior variedade e quantidade de festivais cannabis-friendly de todas as plataformas. Lá estão o NYCFF e muitos outros.

 

• A Film Free Way é canadenses e entendeu que o Withoutabox não atenderia todo mundo. Nasceu junto com meu filme, em 2014, mas já conta com mais de 4800 festivais na sua base. Ficou popular conseguindo atrair os festivais com um modelo de negócios interessante para eles e para os filmmakers com uma taxa baixa. Seu portfólio inclui festivais de peso, como o Leeds International Film Festival e o Raindance.

           

Da minha experiência com festivais, concluo que o mundo é um lugar maravilhoso e diverso, com espaço para todos, onde cada nicho tem sua força.

 

Imagem: Luiz Michelini 

 

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